1 Se nenhum dos pais fala a segunda língua, isso irá afetar o aprendizado da criança?

O Programa Maple Bear oferece suporte suficiente à aquisição da linguagem, de forma que, ainda que os pais não falem a segunda língua, isso não será um problema. Entretanto, esses pais podem ajudar, fazendo perguntas às crianças, mostrando interesse e envolvendo-se no aprendizado delas. É importante que os pais não sejam exigentes demais e nem cobrem das crianças suas habilidades na segunda língua. Cada criança tem seu próprio tempo e maneiras de aprender, por isso comparações com outras crianças devem ser evitadas.

2 Como se desenvolverá o processo de alfabetização? Em que língua as crianças serão alfabetizadas?

As crianças aprendem a ler somente uma vez, preferencialmente na língua materna, que é, para ela, a língua dominante. Mas essas habilidades, assim como as tentativas de registro de suas ideias são transpostas para a segunda língua, quase que concomitantemente. Ler não é simplesmente um ato de decodificar, mas dar significado ao que se lê. É certo que as crianças precisam associar certos mecanismos fônicos para melhorar seu desempenho na leitura e escrita, porém as palavras só têm sentido em enunciados e textos que dêem significados às situações. São os sujeitos em interações singulares que atribuem sentido à linguagem. Essas interações ocorrem também na segunda língua e os registros fazem parte desses intercâmbios sociais. É a partir desse contato que as crianças começam a elaborar hipóteses sobre a escrita; e esse processo é antes de tudo, de natureza lógica, de como as crianças começam a compreender a forma pela qual a escrita alfabética, em cada língua, representa a linguagem e o significado.

3 Quais as expectativas que se deve ter das crianças de educação infantil no processo de aprendizado bilíngue do Programa Maple Bear?

Crianças aprendem uma língua através das interações sociais vivenciadas e constroem o seu sistema linguístico a partir da linguagem que ouvem do adulto e de outras crianças falantes. Elas aprenderão uma segunda língua, usando-a. No início, irão memorizar algumas frases e palavras na segunda língua. Algumas crianças começam a falar rapidamente, cometendo erros, como parte do processo de construção. Outras levam algum tempo, antes de se expressarem na segunda língua, mas uma vez prontas, falam e cometem menos erros. As expectativas dos pais devem contar com alguns meses para que o processo apresente os primeiros sinais de produção linguística.

4 É normal que as crianças troquem palavras e misturem as duas línguas?

Trocar palavras e misturar as duas línguas é um procedimento normal para crianças que estão se tornando bilíngues. Conhecido como "troca de código", isso ocorre naturalmente e depende da audiência e do propósito da comunicação. A "troca de código" geralmente ocorre quando uma criança está tentando clarificar uma idéia ou resolver uma ambiguidade. Ela é também usada para atrair ou manter a atenção do ouvinte ou para elaborar uma afirmação. As crianças algumas vezes misturam as duas línguas quando tentam usar uma palavra ou expressão que não está imediatamente disponível para elas na segunda língua. Como as crianças monolíngues, crianças bilíngues também brincam com os seus dois idiomas, fazendo rimas, inventando palavras e usando certas palavras fora do contexto apropriado.

"Troca de código" e mistura de línguas são fenômenos temporários na aquisição de uma segunda língua. À medida que as crianças se tornam mais familiarizadas com os idiomas, não há mais necessidade ou desejo de combiná-lo. As crianças entendem que cada língua tem o seu próprio vocabulário e sintaxe. Elas também entendem que certas pessoas com quem elas mantêm contato não falam duas línguas; consequentemente, com essas pessoas, elas aprendem a usar somente uma das línguas.

5 Quanto tempo as crianças levam para se expressarem na segunda língua?

As escolas Maple Bear oferecem um ambiente estimulador em que os alunos percebem a importância de usar a segunda língua. Dessa forma, é de grande valor iniciar a criança o mais cedo possível, a fim de aumentar o grau de proficiência. Como em todo o processo de aprendizagem, existem diferenças individuais de como cada criança progride no desenvolvimento sequencial da aquisição da segunda língua. Quando uma criança percebe que ela não pode ou não deve falar sua língua nativa no período de aula do segundo idioma, este é o ponto em que ela irá se decidir a fazer um esforço para o aprendizado. A motivação desempenha um importante papel, mas somente a exposição, logicamente, não é suficiente. Querer se comunicar com pessoas que falam aquela língua é crucial para que a aquisição ocorra.


Entretanto, há enormes diferenças individuais entre as crianças, e também entre os adultos, e o quanto e como o aprendizado da segunda língua é efetivado. Essas diferenças são baseadas em como cada aprendiz se apropria de uma nova língua, das estratégias empregadas e das características dos indivíduos envolvidos. De um modo geral, crianças que estão verdadeiramente interessadas, que procuram oportunidades para ouvir e usar a nova língua e que se sentem confortáveis nas situações de interação social, tendem a progredir mais fácil e rapidamente nesse aprendizado. Por outro lado, crianças que rejeitam a nova língua e se isolam, não irão, logicamente, apresentar um progresso similar em sua aquisição. Dessa forma, valorizar o aprendizado do inglês, dando oportunidades para que a criança o use, é prioridade das escolas Maple Bear. Da mesma forma, proporcionar oportunidades desse uso, também em seu ambiente fora da escola, é muito importante.


A maioria das crianças que está iniciando um programa bilíngue começa a usar linguagem telegráfica e frases pré-formuladas depois de alguns meses. Uma produção mais elaborada, provocada pelas diversas oportunidades de uso, aparece durante o final do ano letivo e no ano seguinte à entrada da criança no Programa Maple Bear.

6 Como se dá o processo de aprendizado de uma segunda língua? A criança entende antes de falar?

Pesquisas indicam que há um desenvolvimento sequencial consistente neste processo. Primeiramente há um período no qual a criança continua a usar sua língua nativa nas situações em que a segunda língua é aplicada. A seguir, a maioria das crianças entra num período não-verbal ou de "silêncio". Depois disso, as crianças começam a usar frases "telegráficas" e "frases feitas" na segunda língua. Finalmente, as crianças começam a produzir frases mais completas na segunda língua.


Durante o período de "silêncio", elas estão trabalhando ativamente na compreensão e no sentido do segundo idioma, observando e ouvindo com atenção a professora e outras crianças. Os professores das escolas Maple Bear, então, estabelecem rotinas e planejam atividades de construção e repetição, para que a criança possa progressivamente ir se familiarizando com a segunda língua. Durante o período "silencioso", as crianças utilizam também linguagem não-verbal, como gestos e mímicas, para se comunicar. Gradualmente, elas começam um processo de “investigação” do idioma, repetindo os sons que ouvem à sua volta.


Da mesma forma como quando aprenderam a primeira língua, as crianças usam a linguagem "telegráfica", ao começar a usar a segunda língua. Esses enunciados tendem a conter uma série de palavras que a criança já aprendeu. Exemplos comuns de linguagem telegráfica incluem identificar os objetos da classe ou nomear e recitar as letras do alfabeto.


"Frases feitas" surgem depois que a criança memorizou frases inteiras. Frases feitas ou "pré-formuladas", como também são chamadas, são muito úteis por permitir às crianças interagir em situações de brincadeiras com falantes de segunda língua. Frases como "I want to play with you" ou "May I have a…" são exemplos de como as crianças compreendem e adquirem significados para se comunicar.


Após o período de frases pré-formuladas, se inicia uma linguagem mais elaborada, quando a criança começa a desenvolver um entendimento da sintaxe e da estrutura gramatical da língua (o que não significa que neste estágio a criança conheça as regras de sintaxe ou a nomenclatura gramatical, mas sim que já estabelece um método para usá-las). Através da comparação e da ampliação ou abandono das frases pré-formuladas e, juntamente com o desenvolvimento e a aplicação das regras da sintaxe da língua, as crianças das escolas Maple Bear chegam a um controle na produção da nova língua. Elas iniciam, então, seus próprios usos e progridem a partir daí, ampliando o vocabulário e as estruturas gramaticais.

7 Que diferenças há no processo de aprendizagem e na aquisição cultural que as escolas Maple Bear oferecem na imersão em inglês?

A inserção da criança num ambiente com elementos culturais diversificados já é um fator enriquecedor do currículo, o que valoriza a pluralidade cultural e, diante de uma realidade globalizante, prepara as crianças para atuarem como cidadãos do mundo. Crianças no programa de imersão bilíngue Maple Bear encontram duas diferentes abordagens na metodologia de seu dia escolar, e logo aprendem a lidar com as duas situações, com poucas intervenções, e a aplicar esse mecanismo para os seus professores e o seu ambiente. Nesse ambiente de aprendizagem focado em duas línguas, a criança aprende progressivamente, durante o desenrolar dos períodos escolares, a usar adequadamente a língua específica e as respostas culturalmente apropriadas, o que enriquece suas experiências de aprendizagem.

8 O ensino bilíngue é aplicável a todas as crianças? E aquelas que apresentam dificuldades de aprendizagem?

Na maior parte dos casos não há obstáculos para que crianças aprendam uma segunda língua. A criança bilíngue não possui nenhuma habilidade cerebral diferente, nem qualquer processo mental específico diverso daqueles encontrados numa criança monolíngue. No mundo de hoje ser bilíngue não é uma situação rara. De fato as últimas pesquisas estimam que metade da população mundial é bilíngue ou até multilingue. Desenvolver o bilinguismo não significa, entretanto, que nas diversas etapas do desenvolvimento da linguagem, as habilidades sejam iguais nas duas línguas. Embora seja difícil para os especialistas precisar ao certo qual língua é dominante, em termos de desempenho, os pesquisadores concordam que no aspecto cognitivo sempre uma das línguas é a dominante.


Se uma criança encontra dificuldades de aprendizagem, provavelmente não é devido à educação bilíngue e esse problema deve ser tratado com cuidado. Nas escolas Maple Bear recomenda-se que toda dificuldade de aprendizagem tenha sempre o acompanhamento e a assistência de um profissional especializado.

9 Por que crianças dessa faixa etária devem aprender uma segunda língua?

De acordo com estudos atuais, quanto mais cedo a criança começa a aprender uma segunda língua, mais efetiva será sua aquisição. Isso é devido, em parte, pelo fato da criança mais nova possuir habilidades mais generalizadas, por isso a importância da estimulação nessa fase.


Crianças mais novas tendem a preocupar-se menos em cometer erros e são mais propensas a iniciar a comunicação com outros, independente do código linguístico.

10 Quais as vantagens em ser bilíngue?

Pesquisas recentes indicam que estudantes bilíngues desenvolvem melhor suas habilidades nas áreas cognitivas. Essa talvez seja a explicação porque esses estudantes geralmente apresentam um melhor desempenho em testes de inteligência verbal, na conceitualização, no pensamento global e na solução de problemas. A criança bilíngue também tem a vantagem de se apropriar da língua com um distanciamento vantajoso dos mecanismos linguísticos. Dessa maneira, nas escolas Maple Bear a aprendizagem tem significação para a criança, pois ela aplica esse conhecimento em seu cotidiano, podendo se beneficiar imediatamente dessa aquisição.